19 de mai. de 2011

ALÔ, ALÔ W O BRASIL


Mando notícias da Terra.
Estou a caminho do Paraguai.
No mais, sem notícias.

Volto na próxima semana.
Com boas histórias para contar.
Confiem.
Até lá levarei todos vocês.

Agora devo partir.
Já vejo as luzes na pista de vôo
com um avião chamado esperança a me esperar.

Devo ter pressa.
Pelo menos nesse instante serei apenas eu.
Sinto orgulho.
De mim.
De tudo que me fez chegar até aqui.
Justamente numa semana,
onde duvidei.
Desacreditei.

Hoje, tenho as asas da imensidão.
Posso enfrentar o mundo,
meus medos
e a mim.

Agora tenho mesmo que ir.
Deixo um beijo para todos vocês.
Nos vemos.
Em breve.

Alô?!? Alô?!?

(Tum, Tum, Tum... sua chamada foi perdida. Tente mais tarde.)  

11 de mai. de 2011

ERA POSSÍVEL OUVIR OS TIROS E A VOZ DE DON BUKOWSKI


Na sexta passada, Grande Oráculo, me veio com uma grande missão: assistir a trilogia do “Poderoso Chefão”. Assisti o primeiro ainda criança e não me lembrava de nada. Das vozes, do Al Pacino, Marlon Brando, Robert De Niro e outros atores fantásticos. Eles ainda novos e tão bons, mas tão bons, que dá até vontade de chorar. Uma geração fantástica. Queria ter visto isso de perto e de certa forma vi.

Depois de assistir os três filmes direto, passei a noite pensando que aqui no Bukowski, somos uma família de mafiosos. Um cuida do outro e não admite nenhum tipo de traição. Não matamos. Embebedamos uns aos outros. Grande Oráculo é o Don Bukowski; Mister Money, o “consigliere” (conselheiro da máfia); Mister Braço e eu, somos os “capis” (subchefes da máfia) e os demais, os capangas.        

E não é que o assunto me marcou tanto que estou vivendo isso desde segunda em sonho. Todas as noites ao adormecer, sonho que estamos caçando traidores e ampliando nosso território. As balas dos revólveres são feitas de uísque. Andamos de chapéu, fumamos cigarrilhas e matamos nossos inimigos, colocando-os para ouvir axé sem parar. Dançamos tarantela ao som do rock and roll. Pessoas novas aparecem e a cada noite ocorre uma verdadeira disputa. Posso acordar e voltar a dormir que volto a sonhar com a máfia. Mas que merda é essa?!?

No sonho de ontem, eu perseguia um cara do início ao fim. Não o achava e no final, eu acabava apaixonada por ele. Quando acordei, fui atrás do livrinho dos sonhos (rsrs). Brincadeira! Não nego que tenha pensado sobre o assunto e me sentido estranha. Mas o que parecia estranho ficou ainda mais. Ao sair de casa, lá estava ele. Exatamente o mesmo cara. Parado no ponto, com uma maleta, óculos de “nerd” e suspensório. Merda! Em nada parecia com aquele mafioso. Foi quando me dei conta: era melhor sonhar.

Voltando para a cama,
Miss J.

5 de mai. de 2011

TUDO TERMINA BEM, DEPOIS DE UMA QUINTA-FEIRA À TARDE


Nossa mania do momento é jogar. Resolvemos dividir nossos vícios em vários e supri-los aos poucos, em vez de apenas um em excesso. Segundas e sextas, nós jogamos no Jockey. Nas terças, saímos. Quarta-feira é dia de jogar pôquer. Quinta é o dia da rebordosa.  E em todos esses dias, bebemos.

Ontem jogamos pôquer, mas não estávamos com sorte. Na verdade, durante toda à noite flertamos com o azar. Depois de algumas doses de Black Label e algumas puxadas num charuto cubano, percebemos que não era dia. Algumas pessoas ainda chegavam. Velhos amigos. Pessoas que não víamos há muito tempo e foi inevitável não falar sobre a vida. Éramos um bando de loucos entre cigarros, charutos, vinis, a velha vitrola que sempre nos uniu durante a vida, garrafas e mais garrafas de uísque.

Foi bom, depois de horas de papo furado e boas risadas, nos despedimos ao amanhecer num dia ainda nublado. Já não tínhamos mais dinheiro. No final estávamos apostando amendoim. Foi quando comecei a ganhar. Foi bom. Terminei às 7h30 fazendo pé de moleque, ouvindo Aretha Franklin e tomando as “saideiras”. Como eu adoro essas quartas à noite... 

Depois que acordei, lá pelas 14h, vim trabalhar. Rever todos aqueles rostos que haviam passado a noite comigo, foi renovador. Sempre bom tê-los por perto, ainda mais depois de uma noite de bebedeira. Como não havíamos comido, o plano era claro: almoçar no Leme. Fechamos o escritório. Grande Oráculo, Mister Money, Miss Ressaquinha, Miss Artista, Mister Mago e eu, rumo a uma tarde incrível no Leme. E foi mesmo... Um almoço delicioso, com direito a entradas, vinhos, medalhão com arroz de gorgonzola e profiteroles. Como é bom comer bem depois de uma noite de quarta. Mais tarde é hora de filme e sono. Que delícia!

Amanhã é sexta-feira e o homenageado é você. Cada um de vocês. Bar Bukowski: resistindo desde 1997 graças a você.

Abraços,
Miss Janis.

4 de mai. de 2011

COMO ENCONTRAR, NO MEIO DE TANTOS, UM DE NÓS?


Eu sumi. Fui consumida pelas coisas do mundo. Pelas tramas paralelas. Esqueci de mim. De vocês, que às vezes se lembram dessa garota. Esqueci um monte de coisas. Eram tantos projetos, tantas cobranças, tantos porres, tanta coisa para fazer e quase nenhum tempo para a inspiração. Esqueci dela também. Não era capaz de expressar uma só palavra, ou emoção. Vazia de certezas e repleta de dúvidas. Buscando significados que iam além dos meus porres, dos meus pensamentos e da minha razão.

Depois desse um mês estava pronta. Já não era mais a mesma. Estava com ânsia de escrever. Não é a primeira vez que isso acontece. Acordei faminta por arte, por poesia, por palavras. Era hora de voltar aos velhos hábitos. E aqui estou eu. Nova e velha ao mesmo tempo.

Ontem e hoje, nós entrevistamos algumas pessoas para as vagas de garçom, barman e caixa. O anúncio no jornal dizia o seguinte: O Bar Bukowski orgulhosamente contrata barman e garçons. Pessoas que gostam de rock e da noite. Comparecer na terça-feira de 13h às 17h. Traga o currículo e se quiser, sua própria bebida.

Queríamos pessoas como nós. Gente bacana. Pessoas que gostem de música boa, de bater papo e beber. Logo de primeira, um abstêmio. Depois, um cara que gostava de um tipo de música meio duvidoso. Logo em seguida, um garçom que queria ser gerente. Estávamos ficando sem esperanças. Era óbvio que pessoas como nós não procuravam emprego em jornal. Até que começou a melhorar e no final encontramos dois, ou três legais.

Mas podia ser melhor. Olha o que teria sido a cena ideal: chega um cara, ou uma mulher, tanto faz, e trás debaixo do braço uma garrafa. Dentro uma bebida forte, com um perfume aveludado e paladar amadeirado. O bom e velho Jack Daniel’s. Ou sei lá, que tivesse chegado até com uma garrafa de 51. Da próxima vez amigos, inspirem-se. Aqui é o lugar certo para isso.

De volta e com o compromisso de fazer diferente,

Miss J.